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O Clã está para iniciar suas atividades. Alguns rapazes e moças estão vivamente interessados em continuar praticando Escotismo após os 18 anos, mas não desejam tornar-se escotistas (pelo menos ainda não). Os Mestres já foram localizados e, então, mãos à obra.
Toma-se o POR Pioneiro, Capítulo VII e... Descobre-se, nesta hora, que sem uma Carta Pioneira o Clã terá dificuldades para funcionar. Até aqui, o POR apresentava a orientação para todos os órgãos da seção, descrevia seu funcionamento e estabelecia parâmetros para sua aplicação, mas no Ramo Pioneiro não. Será pelo fato de que este é o capítulo mais recente? Ainda não foi possível completá-lo, então, adota-se o critério de deixar o que ainda não pôde ser elaborado para ser definido pelo Clã. Isto não irá gerar distorções e gasto de tempo inútil, prejudicando as atividades? A resposta é não! A definição da Carta Pioneira pelo Conselho do Clã é parte do Programa do Ramo Pioneiro. Como na vida adulta, o leque de opções é significativamente aumentado no Clã. O número e a abrangência das decisões expande-se coerentemente com o método progressivo de adestramento do Escotismo.
Em Clãs em formação, a redação da Carta Pioneira, preferencialmente, deve ser iniciada após um período de adaptação e de mútuo conhecimento dos membros do Clã e de seus mestres. Durante este período, que pode durar 3 a 4 meses, o Clã pode eleger interinamente um Coordenador e um Secretário para o desenvolvimento de suas atividades. Estes elementos coordenarão também a redação da Carta Pioneira onde será estabelecida a estrutura definitiva do Clã.
A redação precoce da Carta Pioneira por pessoas que ainda não se conhecem aumenta a probabilidade de produzirem-se pontos de divergência futura.
Um outro fator a ser considerado é o de que um grupo pouco integrado e imaturo tende a concentrar-se em demasia no aspecto operacional, em detrimento da parte conceitual, introduzindo distorções indesejáveis no texto.
O jovem, no Clã, além de ser responsável pela programação a ser desenvolvida pela seção, torna-se também responsável pela criação da estrutura operacional que irá desenvolvê-la ao definir o funcionamento do Conselho do Clã e a composição da Comissão Administrativa.
Se desejar, o Clã estabelece símbolos próprios para expressar seus valores, ultrapassando a simples criação de formas para símbolos previamente propostos.
O Clã define, de maneira consciente, sua personalidade e seus valores básicos. Estabelece os processos decisórios e os mecanismos que serão utilizados para sua administração.
Cabe ao Clã decidir as formas de relacionamento com o restante da fraternidade escoteira e com a comunidade em geral. A maneira de lidar com as tradições. O Clã define seus objetivos gerais, descreve a função de cada um dos cargos administrativos que forem criados e estabelece os mandatos e as responsabilidades de seus titulares, os critérios para realização de reuniões ordinárias e extraordinárias, os mecanismos e critérios para admissão e exclusão de seus membros, promove recompensas e punições e demais itens que forem julgados necessários para o seu desenvolvimento e de seus membros.
QUAIS OS CRITÉRIOS PARA ELABORAÇÃO DA CARTA?
A Carta Pioneira deverá ser elaborada de acordo com os seguintes princípios:
- A unidade de trabalho no Clã é o indivíduo. A Carta deve visar o indivíduo, integrando-o no Clã e na comunidade.
- Seu texto deve garantir de forma permanente a coerência com o texto do POR e dos estatutos e diretrizes da UEB e do Grupo Escoteiro.
- Ser clara, objetiva, usando termos de fácil compreensão, acessível a todos os membros do Clã.
- Estabelecer uma nítida diferença entre definições de rotina e valores essenciais.
- Garantir a preservação dos valores essenciais do Clã sem inibir seu dinamismo ou impedir sua atualização.
- Estabelecer a essência do Clã, evitando resumir-se exclusivamente a um conjunto de regras operacionais.